
Lendo um texto para a faculdade, encontrei um trecho que me fez refletir um pouco mais sobre o último assunto aqui postado.
" Então lembro da Danielle, que é uma menina de dez anos , minha vizinha, com quem encontrei no elevador às dez da manhã e perguntei: 'Danielle, você não foi à aula?' E ela respondeu: 'Não, Betto, eu estudo à tarde'. Então eu disse: 'Que bom, então você pode brincar, dormir até mais tarde'. Ela respondeu: 'Não, eu tenho tanta coisa de manhã...' Eu falei: 'Que tanta coisa?' Ela disse: 'Eu tenho aula de inglês, aula de balé, aula de pintura, piscina', e começou a elencar. (...) 'Eu só tenho duas horas para brincar!' " Betto, Frei. Crise da modernidade e espiritualidade.
Não sei por que, mas esse trecho, apesar de não me causar nenhuma estranheza, pois claro, é essa a realidade de todos nós, me causou certa angústia. Não sei se é pelo fato de ser uma criança de dez anos, poxa, eu com dez anos corria pela rua com os chinelos na mão, estudava, fazia meus deveres, porém, eu brincava, para mim e creio que para todos aqui lendo estão, brincar não era segundo plano.
Mas acho que minha angústia toda veio de uma culpa e creio que todos aqui também, após identificá-la, sentirá. E essa culpa vem das inúmeras vezes que eu pensei " quando eu tiver filhos, eles vão fazer tudo, aproveitar todo o tempo disponível na infância para que quando adultos possam me agradecer de terem tido oportunidades incríveis na sua formação, intelectual, profissional, na sua formação cidadã". É um assunto sério, mas também creio que por mais que eu tente, a minha sensação é que não conseguirei salvar o mundo desta síndrome, e realmente penso como faremos no dia em que as crianças não serão mais crianças, não brincarão mais. Mas uma coisa eu ainda posso fazer:
Mãe, obrigada por me deixar brincar na rua com os chinelos na mão.
" Então lembro da Danielle, que é uma menina de dez anos , minha vizinha, com quem encontrei no elevador às dez da manhã e perguntei: 'Danielle, você não foi à aula?' E ela respondeu: 'Não, Betto, eu estudo à tarde'. Então eu disse: 'Que bom, então você pode brincar, dormir até mais tarde'. Ela respondeu: 'Não, eu tenho tanta coisa de manhã...' Eu falei: 'Que tanta coisa?' Ela disse: 'Eu tenho aula de inglês, aula de balé, aula de pintura, piscina', e começou a elencar. (...) 'Eu só tenho duas horas para brincar!' " Betto, Frei. Crise da modernidade e espiritualidade.
Não sei por que, mas esse trecho, apesar de não me causar nenhuma estranheza, pois claro, é essa a realidade de todos nós, me causou certa angústia. Não sei se é pelo fato de ser uma criança de dez anos, poxa, eu com dez anos corria pela rua com os chinelos na mão, estudava, fazia meus deveres, porém, eu brincava, para mim e creio que para todos aqui lendo estão, brincar não era segundo plano.
Mas acho que minha angústia toda veio de uma culpa e creio que todos aqui também, após identificá-la, sentirá. E essa culpa vem das inúmeras vezes que eu pensei " quando eu tiver filhos, eles vão fazer tudo, aproveitar todo o tempo disponível na infância para que quando adultos possam me agradecer de terem tido oportunidades incríveis na sua formação, intelectual, profissional, na sua formação cidadã". É um assunto sério, mas também creio que por mais que eu tente, a minha sensação é que não conseguirei salvar o mundo desta síndrome, e realmente penso como faremos no dia em que as crianças não serão mais crianças, não brincarão mais. Mas uma coisa eu ainda posso fazer:
Mãe, obrigada por me deixar brincar na rua com os chinelos na mão.
3 comentários:
Não me arrependo de nenhuma fugida de casa para brincar, de nenhum joelho arranhado, nenhum dente quebrado, nem mesmo das brigas em casa por ter chegado após o horário de ficar na rua.
Acho que fomos a última geração a ter infância de verdade...banhada a doces, bolas, machucados e bonecas.
Obrigada pelo post Camila, amei meeeesmo! Bjo Amiga linda!
O tempo passa e as coisas mudam ... a mudança no mundo atinge pequenos e grandes. As crianças não estão livres dessa agitação. Se perdem ou ganham.. para os saudosistas perdem, para os futuristas ganham. Para mim só eh diferente, e ó da pra entender a infância de hoje quem eh criança hoje.. O que agente gosta, gostou e fez na nossa infância não é regra para uma infância feliz.
Thiago Leão
Oi camila!
Adorei o seu blog!
Parece q hj nao existe mais infância e isso eh uma situação que preocupa mmuito essa nova geração que está por ai!
Que bom q tivemos essa sorte, nao eh mesmo?
bjaooo da mariii
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