
Como amante de um assunto intrigante como as mudanças ocorridas no mundo, não poderia escrever de outra coisa senão, mais uma vez desta metamorfose que estamos participando. Pesquisando e pensando sobre todas particularidades deste assunto, um artista e autor me chama a atenção (não somente me chama atenção, como também disperta em mim uma admiração constante), Evgen Bavcar, um esloveno cego, fotógrafo e filósofo. Bavcar defende um mundo de invisibilidade, que nossos olhos não podem alcançar e é justamente baseado neste paradoxo entre visibilidade e invisibilidade causado pelas mudanças da pós-modernidade. Não conseguimos mais ver, temos um olhar avulso e incerto.
"Vivemos em meio a uma cegueira generalizada"*
A correria do dia-a-dia, a mudança de foco de vida, de perspectivas e ideais fizeram com que nos esqueçamos de ver o que está mais próximo de nós e principalmente dos nossos sentimentos e sensações. Hoje há uma relação dinâmica da visão e do que é visto. Essa relação já poderia ser vista com Platão e o seu Mito da Caverna em que mostra como podemos ser enganados se não estivermos preparados para ver além da visão.
"Sem escuridão não podemos ver estrelas"*
No documentário brasileiro Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho em que Bavcar é entrevistado, ele fala exatamente sobre essa relação de visão que não é explorada pelos homens e diz que, mesmo sendo cego, vê melhor o mundo do que pessoas que não tem nenhuma deficiência física, pois ele tem um olhar interior.
"As pessoas não sabem mais ver, não vêem nada, pois não tem mais o olhar interior, não tem mais a distância"*
É uma relação de paradoxo intrigante, pois Bavcar diz exatamente o oposto da nossa realidade contemporânea, capitalista e frenética. Um autor para lermos e refletirmos sobre nosso presente.
*Evgen Bavcar
Um comentário:
Nada é tão complexo que valorizar pequenas coisas, e nada é tão louco do que descobrir que essas "pequenas coisas" que fazem toda diferença.
Parabéns
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